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Mariana Romero Roy

Para quem busca um medicamento quase milagroso para combater a obesidade, o equivalente mais próximo que já tivemos finalmente chegou, na forma dos agonistas de GLP-1. Relativamente novos, esses medicamentos foram desenvolvidos originalmente para controlar os níveis de glicose no sangue em pessoas com diabetes tipo 2, estimulando o organismo a produzir mais insulina para reduzir a glicemia. Mas alguns deles também têm se mostrado bastante eficazes para auxiliar na perda de peso. [1]

Os GLP-1 geralmente são administrados por via injetável pelo próprio paciente. Os mais populares são aplicados uma vez por semana, mas alguns precisam ser tomados uma ou duas vezes ao dia. Algumas versões mais recentes desses medicamentos são apresentadas em comprimidos de uso diário. [2]

Os GLP-1 são aprovados para adultos com índice de massa corporal (IMC) igual ou superior a 30, ou para aqueles com IMC igual ou superior a 27 que também apresentem outras condições relacionadas ao peso, como diabetes tipo 2, colesterol alto, pressão alta, apneia obstrutiva do sono ou outras complicações. Esses medicamentos só estão disponíveis mediante prescrição médica, de modo que os pacientes precisam conversar com um profissional de saúde para avaliar se o tratamento é indicado para seu caso. [3]

GLP-1 na América Latina

Já populares nos Estados Unidos e em outros países do mundo, seu uso também cresceu significativamente na América Latina nos últimos anos. Apresentamos, a seguir, um rápido panorama dos números na região:

      • Receita do mercado latino-americano de GLP-1 em 2025: US$ 1,76 bilhão
      • Previsão de receita do mercado latino-americano de GLP-1 para 2033: US$ 5,72 bilhões
      • CAGR do mercado latino-americano de GLP-1 de 2026 a 2033: 14,6% [4]
      • CAGR do mercado argentino de GLP-1 de 2026 a 2033: 15,9% [5]
      • CAGR do mercado brasileiro de GLP-1 de 2026 a 2033: 13,8% [6]
      • CAGR do mercado mexicano de GLP-1 de 2026 a 2033: 18,4% [7]

    Oportunidades e desafios

    Naturalmente, o crescimento expressivo do uso de GLP-1 no mercado latino-americano contribuirá substancialmente para os resultados financeiros de fabricantes e fornecedores desses medicamentos. Mas a capacidade desses tratamentos de ajudar os pacientes a controlar o peso e os sintomas do diabetes é tão significativa que deverá produzir efeitos em cadeia em várias frentes da saúde na América Latina nos próximos anos.

    Em resumo, os benefícios do uso de medicamentos GLP-1 para os pacientes parecem ir muito além da perda de peso e da redução da glicemia. Muitos pacientes também apresentam redução da pressão arterial e do colesterol, menor risco de doenças cardiovasculares e renais, além de diversos outros ganhos para a saúde. Pesquisadores vêm identificando continuamente novos benefícios potenciais dos medicamentos GLP-1. [1]

    Se, por um lado, alguns desses desdobramentos serão positivos, outros terão efeitos negativos para fabricantes e fornecedores de diversos tipos de equipamentos médicos e insumos. Por exemplo, o número de procedimentos de bypass gástrico e gastrectomia vertical pode diminuir na América Latina, já que cada vez mais pacientes conseguirão perder peso de forma eficaz com os GLP-1. Os estudos já começam a apontar nessa direção: um deles constatou queda de 25,6% nas cirurgias bariátricas nos Estados Unidos em 2023, em grande parte devido ao aumento do uso desses medicamentos. Para as empresas que fabricam os equipamentos usados nesses procedimentos, como grampeadores cirúrgicos, trocartes e até sistemas de cirurgia robótica, essa nova realidade pode levá-las a revisar para baixo suas projeções para os próximos anos. [8]

    Uma dinâmica semelhante também pode ocorrer no mercado de dispositivos respiratórios e de cuidados do sono. A queda das taxas de obesidade também pode reduzir os casos de apneia obstrutiva do sono e de outros problemas respiratórios relacionados. De fato, a Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora de medicamentos dos Estados Unidos, aprovou recentemente um medicamento da classe dos GLP-1 chamado tirzepatida (Zepbound) para o tratamento da apneia obstrutiva do sono em adultos com obesidade. Esses desdobramentos podem dificultar as projeções de demanda futura por aparelhos de CPAP, ventiladores e equipamentos correlatos de diagnóstico da apneia do sono. [9]

    Resultados positivos

    Apesar desses desafios, os possíveis desfechos são, naturalmente, amplamente positivos para a saúde e o bem-estar da população latino-americana. Isso também deverá abrir novas oportunidades. Por exemplo, pode haver um aumento na necessidade de endoscopias, ultrassonografias e equipamentos diagnósticos correlatos para monitorar e diagnosticar alguns efeitos colaterais associados ao uso de GLP-1, incluindo o esvaziamento gástrico retardado e problemas na vesícula biliar. [10]

    Além disso, um novo contingente de pacientes pode passar a se qualificar para procedimentos médicos necessários para os quais antes não era elegível em razão da obesidade. Isso inclui cirurgias como artroplastias de joelho ou quadril e correções de hérnia. Esse contingente crescente de pacientes pode impulsionar as vendas de implantes ortopédicos, instrumentais cirúrgicos motorizados e equipamentos de reabilitação pós-operatória, entre outros. [11]

    Principais conclusões para empresas do setor de saúde

    Como se vê, os impactos profundos dos GLP-1 sobre o ecossistema de saúde na América Latina irão muito além do aumento do uso desses medicamentos, da perda de peso e de um melhor controle do diabetes. O potencial impacto positivo sobre a saúde pode desencadear um efeito em cadeia que se estenda a uma ampla gama de condições médicas, procedimentos, uso de equipamentos e outras áreas.

    Representantes comerciais de medtech podem tornar suas projeções e estratégias de vendas mais ágeis com o SurgiScope, ao acessar dados em tempo real e acompanhar essas mudanças nos volumes de procedimentos. Também podem identificar quais hospitais estão registrando aumentos nos procedimentos ortopédicos.

    O HospiScope também se destaca por fornecer dados concretos, em nível local, sobre os hospitais específicos que apresentam demanda por determinados tipos de equipamentos. Isso o torna uma ferramenta muito mais eficaz para embasar previsões em tempo real e estratégias de vendas do que depender de premissas históricas para ajustar metas de vendas.

    Próximos passos

    Entre em contato com a GHI para saber mais sobre o avanço dos medicamentos GLP-1 na América Latina e sobre como a sua empresa pode ajustar sua estratégia para acompanhar as mudanças que esse movimento trará ao setor de saúde. Nossa equipe de pesquisadores pode oferecer os insights e análises de que a sua empresa precisa para tomar decisões mais estratégicas no seu setor.


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    Fontes:

Mariana Romero Roy is the Senior Director of Business Intelligence for GHI. She designs and manages market intelligence research projects for the world's leading medical equipment/device brands in all key Latin American markets. This worked has honed her expertise in market trends and helping sales teams uncover opportunities in the region.