Guillaume Corpart
Na América Latina e no Caribe, os sistemas de saúde vêm evoluindo para atender à demanda crescente por infraestrutura moderna, serviços digitais e atendimento de maior qualidade. Embora a região conviva há décadas com instalações antigas e escassez de leitos hospitalares, uma nova onda de investimentos públicos e privados começa a suprir essas carências por meio de projetos de construção concebidos para atender a necessidades específicas.
Em 2026, diversos projetos de investimento plurianuais estão viabilizando a inauguração de novos hospitais especializados e complexos de saúde em toda a região. Para fabricantes de dispositivos médicos e fornecedores de equipamentos, essa expansão da infraestrutura abre amplas oportunidades comerciais. Embora seja observada em toda a região, essa tendência é particularmente intensa no setor público mexicano, onde investimentos públicos de proporções históricas vêm redefinindo o cenário das aquisições. Como essas novas unidades são concebidas desde o início para integrar tecnologias médicas modernas, demandam uma ampla gama de equipamentos, de sistemas de diagnóstico por imagem a centros cirúrgicos totalmente equipados.
Expansão da infraestrutura pública de saúde no México
À frente desse movimento está o Instituto Mexicano del Seguro Social (IMSS). O IMSS, um dos principais pilares do sistema público de saúde do país, conduz atualmente uma das expansões de infraestrutura mais ambiciosas da história recente. Segundo dados do IMSS, o instituto já acrescentou o dobro de leitos em comparação com o total incorporado nas seis décadas anteriores e prevê intensificar ainda mais essa expansão em 2026. Com cinco novos hospitais já em funcionamento, o IMSS deve inaugurar outras seis unidades de grande porte este ano.
A iniciativa tem como meta alcançar, até 2030, uma capacidade total de 45 mil leitos nos hospitais públicos administrados pelo IMSS, o que representa um aumento expressivo de 10 mil leitos em relação à capacidade atual. A expansão busca recompor a capacidade perdida, ampliar a cobertura em regiões desassistidas e responder à demanda crescente gerada pelo envelhecimento populacional e pelas doenças crônicas.
Para fornecedores do setor de MedTech, acompanhar de perto o perfil dessas unidades públicas é essencial para prever a demanda:
- Hermosillo, Sonora (HGZ No. 15). Esse hospital universitário terá 115 leitos, cinco salas cirúrgicas e equipamentos avançados de diagnóstico, incluindo sistemas de ressonância magnética e tomografia.
- Ciudad del Carmen, Campeche. Será um hospital altamente especializado em ginecologia e pediatria, com 74 leitos, unidades de terapia intensiva adulta, pediátrica e neonatal e um conjunto completo de equipamentos de diagnóstico por imagem, incluindo mamografia e ultrassonografia.
- Guanajuato e Tula de Allende. Estão em andamento ampliações de grande porte nas duas unidades. Em Guanajuato, a capacidade será ampliada de 20 para 120 leitos, com áreas especializadas em oncologia e nefrologia. Em Tula de Allende, o número de leitos hospitalares aumentará de 40 para 144.
- Ticul, Yucatán. Essa unidade de 94 leitos terá cinco salas cirúrgicas, unidade de terapia intensiva adulta e equipamentos avançados para hemodiálise e diagnóstico.
Além dessas unidades, o governo federal mexicano está implementando o Plano Integral para a Zona Leste do Estado do México, voltado à infraestrutura regional, à saúde e aos serviços públicos, com o objetivo de melhorar as condições de vida da população.
Expansão da infraestrutura em outros países da América Latina
A forte expansão observada no México reflete uma tendência mais ampla, presente em diversos países da América Latina. Por exemplo, alguns dos maiores projetos de infraestrutura de saúde dos últimos anos também foram realizados no Chile e no Panamá. O Brasil também conta com diversos projetos de grande porte em andamento para ampliar sua infraestrutura. Mesmo nas regiões onde não há construção de unidades inteiramente novas, estão em curso iniciativas de modernização para adequar os equipamentos e as tecnologias clínicas existentes aos padrões atuais do setor.
Modernização da infraestrutura clínica
A atual onda de obras se concentra na modernização do ambiente clínico, e não apenas na ampliação do número de leitos. Como observa o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), muitos pacientes da região ainda são atendidos em instalações antigas e pouco preparadas para responder a demandas assistenciais complexas, o que gera atrasos operacionais e aumenta os riscos à saúde.
Para enfrentar esse problema, os novos hospitais priorizam projetos arquitetônicos flexíveis e resilientes. Essas unidades são concebidas para se adaptar a mudanças epidemiológicas repentinas e à evolução das necessidades clínicas, sem exigir reformas amplas e onerosas.
O impacto sobre as aquisições no setor de MedTech
Para o setor de MedTech, essa evolução na concepção dos hospitais influencia diretamente as decisões de compra. As novas unidades priorizam equipamentos que se integrem plenamente a fluxos de trabalho digitais e eficientes. Para ter sucesso nesse mercado, os fornecedores precisam oferecer soluções interoperáveis capazes de elevar o padrão de eficiência operacional, desde sistemas avançados de gestão predial até equipamentos médicos que enviem dados diretamente para prontuários eletrônicos centralizados (EHR).
Prioridades estratégicas para líderes do setor de MedTech
A entrada em operação desses hospitais de grande porte e das redes regionais de atendimento cria uma demanda imediata e expressiva por equipamentos e soluções. Para conquistar participação de mercado em meio à rápida expansão da infraestrutura, as equipes comerciais precisam adaptar sua abordagem:
- Atue desde as etapas iniciais do projeto. Os fabricantes de equipamentos mais bem-sucedidos não esperam a inauguração dos hospitais para iniciar as vendas. Ao acompanhar os investimentos em infraestrutura desde o início, os fornecedores podem prestar consultoria sobre os requisitos espaciais e técnicos para equipamentos de capital de grande porte, como salas de ressonância magnética ou de cirurgia robótica, e firmar contratos antes mesmo da conclusão da obra.
- Ofereça soluções completas, integradas e prontas para uso. Os gestores dos novos hospitais de grande porte precisam equipar departamentos inteiros de uma só vez. Os fabricantes capazes de oferecer soluções completas e integradas, reunindo equipamentos de capital, consumíveis e contratos de manutenção de longo prazo, terão vantagem sobre fornecedores com portfólios fragmentados e limitados a produtos isolados.
- Alinhe sua estratégia às licitações públicas. Expansões de grande porte, como a do IMSS no México, são financiadas com recursos públicos. Por isso, as equipes de MedTech precisam ter agilidade regulatória e administrativa para lidar com processos complexos de compras governamentais e parcerias público-privadas.
Próximos passos
A forte expansão da infraestrutura em 2026 vem redesenhando o mapa da capacidade assistencial na América Latina. Entre em contato com a GHI para obter inteligência aprofundada sobre a evolução do cenário hospitalar e da base instalada de equipamentos em cada mercado da região. Nossos dados ajudam sua empresa a elaborar previsões precisas, estabelecer contato com os interlocutores certos e manter-se à frente da concorrência nos mercados que mais crescem na América Latina.
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Fontes:
https://www.proyectosmexico.gob.mx/en/projects-hub/comprehensive-plan-for-the-eastern-zone-of-the-state-of-mexico/
https://mexicobusiness.news/health/news/imss-expands-public-healthcare-services-11-new-hospitals
https://www.imss.gob.mx/prensa/archivo/202601/035
https://www.iadb.org/en/blog/health-nutrition-and-population/hospital-infrastructure-building-quality-better-care
https://www.worldconstructionnetwork.com/marketdata/five-largest-south-and-central-america-healthcare-building-construction-projects/
https://globalhealthintelligence.com/ghi-analysis/recent-developments-in-the-brazilian-hospital-market/



