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Guillaume Corpart

Para fabricantes e fornecedores de dispositivos médicos interessados em voltar a investir na Venezuela, as oportunidades nos próximos meses tendem a ser expressivas. No entanto, empresas que ingressarem no mercado durante essa fase de transição enfrentarão uma verdadeira “tempestade perfeita” de obstáculos regulatórios, financeiros e jurídicos. Apesar do enorme potencial de crescimento, os fabricantes precisam considerar os seguintes entraves:

1. Sanções financeiras e reintegração ao sistema SWIFT

    A barreira mais imediata é o descompasso entre o sistema bancário internacional e as operações locais.

    • Verificação dos canais bancários. Embora quatro bancos privados (BNC, BBVA Provincial, Banesco e Mercantil) estejam autorizados a receber divisas geradas pelas vendas de petróleo por meio de canais dos Estados Unidos, a normalização efetiva do sistema SWIFT ainda está em andamento e permanece incerta.
    • Conformidade: alto grau de sensibilidade. Empresas norte-americanas seguem extremamente cautelosas em relação às sanções financeiras. Consequentemente, muitas vezes exigem auditorias jurídicas especializadas antes de retomar transferências diretas.

    2. Instabilidade regulatória e jurídica

      O arcabouço legal para a importação e certificação de dispositivos médicos encontra-se em pleno processo de mudança.

      • Regulamentação errática. Descrito como “errático”, o ambiente jurídico-regulatório se caracteriza por mudanças rápidas nas normas, conforme a nova administração tenta reformular o sistema.
      • Desafios de rastreabilidade. A cadeia de suprimentos do setor público está concentrada em 12 grupos econômicos que operam por meio de centenas de subsidiárias. Assim, a tarefa de assegurar a conformidade com as exigências de “Conheça Seu Cliente” (KYC) e verificar os usuários finais torna-se tecnicamente difícil.
      • Volatilidade política. Embora a presidente interina Delcy Rodríguez tenha feito concessões iniciais, a relação entre Estados Unidos e Venezuela segue instável.

      3. Barreiras logísticas e de infraestrutura

        Para trazer produtos ao país com segurança e em conformidade com as exigências legais, é preciso lidar com redes complexas de intermediários.

        • Risco associado a intermediários. Hoje, muitos produtos acabam sendo canalizados por subdistribuidores para contornar bloqueios bancários, o que aumenta o risco de operações no “mercado cinza” e reduz o controle do fabricante sobre qualidade e precificação.
        • Reconstrução logística. As cadeias logísticas anteriores praticamente desapareceram, de modo que os fabricantes precisam avaliar cuidadosamente novos distribuidores e recompor os estoques e a estrutura de armazenagem do zero.

        4. Fragmentação do mercado

          Os fabricantes precisam adaptar suas estratégias de conformidade e vendas a dois segmentos bastante distintos:

          • Concentração no setor público. Os elevados níveis de favorecimento nas compras de hospitais públicos exigem uma diligência anticorrupção rigorosa na avaliação de parceiros locais.
          • Fragilidade do setor privado. O setor privado é altamente fragmentado: restam menos de 100 grandes clínicas, enquanto se proliferam pequenos centros de atenção primária. Essas unidades podem não ter estrutura financeira para viabilizar contratos internacionais diretos.

          Recomendações estratégicas

          Recomenda-se que os executivos adotem uma postura de cautela vigilante nos próximos 6 a 12 meses. O ponto de inflexão será a confirmação oficial de que as sanções foram suspensas, junto com a estabilização da retomada dos canais financeiros internacionais. Ainda assim, uma vez atendidas essas condições, as oportunidades no mercado venezuelano tendem a ser relevantes para as empresas que conseguirem manter a paciência até lá.


          Próximos passos

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          Guillaume Corpart is the CEO and founder of Global Health Intelligence, with more than two decades of experience in market intelligence. He is a recognized expert and thought leader in discussing the medical equipment/devices market in Latin America, having overseen hundreds of studies for the world's top brands in this sector.