Mariana Romero Roy
O envelhecimento populacional não é um problema exclusivo da América Latina. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, até 2030, uma em cada seis pessoas no mundo terá mais de 60 anos; em 2050, o número de pessoas com 60 anos ou mais dobrará, chegando a 2,1 bilhões. [1]
No entanto, algumas fontes estimam que a América Latina está envelhecendo mais rapidamente do que qualquer outra região do mundo. Embora a região não tenha as populações mais idosas — que estão na Europa e no Leste Asiático —, a queda da taxa de natalidade e o envelhecimento populacional acelerado devem gerar estatísticas bastante expressivas em um futuro próximo. [2] Por exemplo:
Projeção do percentual da população da América Latina com 65 anos ou mais até:
- 2030 – 11,88%
- 2040 – 15,21%
- 2050 – 18,9%
Considerando, ainda, que a taxa de natalidade caiu de quase 6 filhos por mulher em 1952 para 1,8 por mulher em 2024, fica claro por que a “economia prateada” deve ganhar protagonismo na região nos próximos anos. [3]
O impacto do envelhecimento no setor de saúde
Como se pode imaginar, o rápido envelhecimento da população na região terá um impacto significativo no setor de saúde e, mais especificamente, no setor de medtech nas próximas décadas. De fato, a revista Age and Ageing observou, em um artigo de 2022, que a região já começa a enfrentar dificuldades para acompanhar o envelhecimento populacional. [4]
Os desafios da recente pandemia de Covid-19 já expuseram algumas lacunas na assistência regional, que tendem a se tornar ainda mais evidentes com o avanço, na América Latina, de doenças crônicas como diabetes, doenças cardíacas e câncer, além de outras condições comuns entre idosos. [4]
Com o aumento das taxas de doenças crônicas em toda a região, a demanda por insumos e equipamentos médicos relacionados tende a acompanhar esse movimento. Estas são as projeções para algumas condições médicas crônicas comuns nos próximos anos:
Projeções para condições médicas crônicas:
- Diabetes – Aumento esperado de 46%, chegando a 52 milhões em 2050 na América Latina [5]
- Doenças cardíacas – Devem quase dobrar globalmente, afetando 1,14 bilhão de pessoas em 2050 [6]
- Câncer – Projeção de aumento de 50,7% na América Latina entre 2022 e 2050 [7]
- Doença de Alzheimer – Número de casos deve aumentar de 7,8 milhões para mais de 27 milhões até 2050 [8]
Mesmo esta breve lista de condições médicas crônicas associadas ao envelhecimento mostra que o impacto tende a ser concreto e significativo. Isso sem considerar a extensa lista de outros problemas que as pessoas idosas enfrentarão, sobretudo dificuldades de mobilidade relacionadas à idade.
Como responder ao desafio
Apesar dos desafios que se aproximam, muitos países da América Latina estão plenamente conscientes dessas questões e vêm tomando medidas para se preparar para o aumento no volume de pacientes. Por exemplo, desde 2021, a Organização Pan-Americana da Saúde tem concentrado seus esforços na “Década do Envelhecimento Saudável”, promovendo e implementando programas de saúde pública que ajudam a população da região a envelhecer com saúde e bem-estar. [9]
Embora sejam úteis, esses programas representam apenas a ponta do iceberg dos preparativos necessários para as transformações da “economia prateada” nos próximos anos. Alguns dos principais especialistas em saúde da região afirmam que, para estar preparado, o setor deve concentrar seus esforços nas seguintes iniciativas:
- Planejamento de apoio ao envelhecimento, incluindo sistemas de cuidado integrado, infraestrutura geriátrica e profissionais adicionais de apoio à assistência.
- Reforma dos modelos de financiamento para priorizar serviços essenciais e reduzir os gastos diretos dos pacientes.
- Fortalecimento da prevenção e da atenção primária para prevenir doenças crônicas ou identificar problemas precocemente, antes que se agravem.
- Dados e inteligência estratégica para usar ferramentas modernas e responder com maior precisão às necessidades crescentes em saúde. [10]
Principais conclusões para empresas do setor de saúde
É evidente que o caminho dos sistemas de saúde e hospitais que buscam se preparar para a “economia prateada” será complexo, com muitos desafios e ajustes de rota pela frente. Mas, para empresas, fabricantes e fornecedores de tecnologias médicas, as oportunidades de fazer parte da solução para toda a região são consideráveis.
Em praticamente todas as frentes, setores e subsetores inteiros da saúde deverão registrar aumento significativo na demanda por insumos e equipamentos, incluindo equipamentos de diagnóstico, equipamentos de suporte à vida, dispositivos para diagnóstico e tratamento de doenças cardíacas, diabetes e câncer, além de dispositivos e implantes ortopédicos. Com a continuidade da transição da medicina para a telemedicina e o cuidado remoto, também devem ganhar força os sistemas que apoiam a assistência domiciliar e o monitoramento remoto.
A transformação impulsionada pela “economia prateada” também deverá ser significativa o suficiente para ir além dos dispositivos e equipamentos médicos. É possível que os sistemas precisem ser modernizados para absorver um aumento expressivo no volume de pacientes, assim como as próprias unidades de atendimento.
Planejamento estratégico para a economia prateada
Sua empresa está bem posicionada para ajudar a América Latina a dar continuidade à “Década do Envelhecimento Saudável”, e este é o momento de começar a planejar sua estratégia para os próximos anos. Os dados fornecidos pela Global Health Intelligence podem ajudar a sua empresa a tomar decisões estratégicas sobre quais países, sistemas de saúde e hospitais priorizar.
Representantes comerciais de medtech podem tornar suas projeções e estratégias de vendas mais ágeis com o SurgiScope, ao acessar dados em tempo real e acompanhar mudanças nos volumes de procedimentos. Também podem identificar quais hospitais estão registrando aumentos nos procedimentos ortopédicos.
O HospiScope também se destaca por fornecer dados concretos, em nível local, sobre os hospitais específicos que apresentam demanda por equipamentos. Isso o torna uma ferramenta muito mais eficaz para desenvolver previsões em tempo real e estratégias de vendas do que depender de premissas históricas ao ajustar metas de vendas.
Próximos passos
Entre em contato com a GHI para saber mais sobre o avanço da “economia prateada” na América Latina e como ajustar a estratégia da sua empresa às transformações que esse movimento deve gerar no setor de saúde. Nossa equipe de pesquisadores pode fornecer as análises de que você precisa para obter insights valiosos e apoiar a tomada de decisões estratégicas em seu setor.
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Fontes:
- https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/ageing-and-health
- https://www.pensionpolicyinternational.com/latin-america-has-the-fastest-aging-population-in-world/
- https://americasquarterly.org/article/the-gray-tide-latin-americas-demographic-transformation/
- https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC9384165/
- https://diabetesatlas.org/data-by-location/region/south-and-central-america/
- https://www.aku.edu/news/Pages/News_Details.aspx?nid=NEWS-003795
- https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC12745351/
- https://www.alzint.org/u/dementia-in-the-americas-ENGLISH.pdf
- https://www.paho.org/en/events/regional-launch-decade-healthy-aging-2021-2030
- https://incae.edu/en/el-futuro-ya-nos-alcanzo-como-el-envejecimiento-y-las-enfermedades-cronicas-estan-presionando-los-sistemas-de-salud-en-america-latina/



