Guillaume Corpart
Com a tecnologia sem fio e a IA avançando da computação convencional para a integração com dispositivos, surgem amplas oportunidades para o que é possível fazer na saúde moderna. Hoje, equipamentos que vão de bombas de infusão a aparelhos de ressonância magnética e marca-passos, entre muitos outros, já contam com conectividade sem fio. Para prestadores de serviços de saúde e pacientes, isso abre novas possibilidades de educação, transparência e tratamento.
Esses dispositivos se tornaram tão essenciais para a assistência médica que passaram a ter uma denominação própria: Internet of Medical Things (IoMT), ou Internet das Coisas Médicas. Estas são apenas algumas das possibilidades que eram impensáveis há alguns anos, graças ao desenvolvimento da IoMT:
- Monitoramento remoto de pacientes (RPM) com condições crônicas de saúde.
- Coleta de dados a partir de dispositivos vestíveis de saúde.
- Rastreamento de localização e direcionamento de ambulâncias para pacientes de alto risco.
- Rastreamento de medicamentos.
As oportunidades — dentro e fora das unidades de saúde — são expressivas. Médicos e enfermeiros podem acompanhar remotamente o bem-estar do paciente entre uma consulta e outra. E isso pode ocorrer dentro do mesmo hospital ou até a centenas de quilômetros de distância. O potencial da telemedicina e do atendimento remoto ganha novo impulso com o avanço da IoMT. [1]
Possíveis vulnerabilidades
Naturalmente, toda nova tecnologia, por mais promissora que seja, traz seu próprio conjunto de riscos — e com a IoMT não seria diferente. Embora as possibilidades médicas dessa tecnologia sejam amplas, os riscos potenciais associados a ameaças de cibersegurança, ou até mesmo a ciberataques, também são significativos. “A preparação em cibersegurança na saúde ainda é um desafio importante em toda a região e deve continuar sendo uma prioridade nos próximos anos”, afirma Alejandro Valenzuela, diretor global de marketing de produto da GE Healthcare. [2]
Além disso, algumas equipes de tecnologia podem estar mais concentradas nos aspectos médicos de suas soluções do que nos recursos de conectividade sem fio, o que as deixa mais vulneráveis a ataques. Elencamos a seguir algumas das possíveis vulnerabilidades identificadas na IoMT:
- Senhas fracas ou incorporadas ao código
- Redes ou interfaces inseguras
- Atualizações de software vulneráveis
- Componentes desatualizados
- Falta de medidas de proteção física
- Configurações padrão inseguras
- Gerenciamento inadequado de dispositivos
- Transferência e armazenamento de dados inseguros
- Falta de proteção da privacidade [3]
Preocupações regionais com cibersegurança
Como a infraestrutura digital da América Latina não é tão desenvolvida quanto a de outras partes do mundo, a região foi identificada como uma área em que os riscos são especialmente agudos. As empresas latino-americanas também estão plenamente cientes desse risco. Uma pesquisa recente do WEF constatou que 42% das empresas da região não confiam na capacidade de seus países de responder a ameaças cibernéticas. Esses índices são muito superiores aos observados entre empresas semelhantes na África (36%), Ásia (20%), Europa (15%) e América do Norte (15%). [3]
O mercado também parece indicar que a América Latina está ciente desses riscos de cibersegurança associados à IoMT e disposta a investir para corrigir algumas das deficiências atuais. Dados recentes de mercado indicam que o mercado latino-americano de cibersegurança foi avaliado em US$ 1,16 bilhão em 2024 e deve chegar a US$ 5,47 bilhões até 2033. Isso representa uma taxa composta de crescimento anual (CAGR) de 18,81%. [4]
Como proteger seus dispositivos
É evidente que a região está disposta a realizar os investimentos necessários para aprimorar a cibersegurança e, idealmente, minimizar os riscos futuros para a IoMT. Enquanto isso, porém, a infraestrutura atual ainda fica atrás do restante do mundo, o que aumenta a exposição de dispositivos e softwares a riscos. Isso transfere para os próprios fabricantes de equipamentos a responsabilidade de incorporar protocolos de segurança robustos diretamente em seus dispositivos, em vez de depender dos sistemas de TI da região ou dos hospitais para cuidar dessa proteção.
Principais conclusões para empresas do setor de saúde
Para fabricantes de tecnologias médicas e fornecedores de dispositivos conectados de ponta que integram a IoMT, os potenciais riscos de cibersegurança representam um desafio que precisará ser enfrentado nos próximos anos. No entanto, se a sua tecnologia já lida bem com esses desafios ou se a sua empresa tem planos para abordar essas preocupações em um futuro próximo, isso pode se tornar uma vantagem competitiva relevante e um diferencial importante em futuras oportunidades de venda.
De modo geral, o setor de saúde latino-americano vem se tornando cada vez mais tecnologicamente avançado, e o mercado está mais receptivo do que nunca aos equipamentos conectados que compõem a IoMT. Segundo estimativas e projeções atuais, o valor total do mercado de IoMT superou US$ 7,5 bilhões em 2024, devendo ultrapassar a marca de US$ 25 bilhões até 2033. Isso representa uma taxa composta de crescimento anual (CAGR) de 14,3% nos próximos 10 anos. [5]
Além disso, as preocupações com os riscos de cibersegurança na região estão presentes e se disseminando, como parecem indicar os dados da pesquisa e as projeções para o mercado de cibersegurança em saúde.
Para fornecedores de IoMT, isso significa que empresas com soluções medtech seguras, confiáveis e bem protegidas têm uma clara vantagem competitiva. Ao tratar esse tema como prioridade em seu planejamento estratégico, sua empresa estará em vantagem em relação aos concorrentes nos próximos anos.
Naturalmente, o verdadeiro desafio é mostrar aos seus potenciais clientes as reais vantagens dos seus produtos e demonstrar que eles incorporam as ferramentas, tecnologias e protocolos de segurança mais recentes para proteger seus dados e prevenir possíveis ciberataques. A cibersegurança deve ser um elemento central no treinamento das equipes de vendas sobre os produtos que pretendem comercializar.
Próximos passos
Você pode contar com a Global Health Intelligence e seu conjunto de ferramentas de análise de dados, como o HospiScope, para identificar áreas específicas de oportunidade e determinar onde a demanda por dispositivos de IoMT é mais alta.
Entre em contato com a GHI para saber mais sobre o avanço da IoMT e da cibersegurança na América Latina e entender como ajustar a estratégia da sua empresa para acompanhar as transformações que esse movimento deve gerar no setor de saúde. Nossa equipe de pesquisadores pode fornecer as análises de que você precisa para obter insights valiosos e apoiar a tomada de decisões estratégicas em seu setor.
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Fontes:
- https://www.techtarget.com/iotagenda/definition/IoMT-Internet-of-Medical-Things
- https://www.fortinet.com/resources/cyberglossary/iot-device-vulnerabilities
- https://privatebank.jpmorgan.com/latam/en/insights/markets-and-investing/ideas-and-insights/the-cybersecurity-imperative-latin-americas-challenge-and-opportunity
- https://www.marketdataforecast.com/market-reports/latin-america-healthcare-cybersecurity-market
- https://www.businessmarketinsights.com/reports/latin-america-iot-medical-devices-market



