{"id":30581,"date":"2026-10-30T18:28:43","date_gmt":"2026-10-31T00:28:43","guid":{"rendered":"https:\/\/globalhealthintelligence.com\/analise-de-ghi\/el-choque-cambiario-poselectoral-en-brasil-lo-que-significa-un-real-mas-debil-para-el-sector-medtech-en-el-mercado-mas-grande-de-america-latina\/"},"modified":"2026-11-04T05:27:45","modified_gmt":"2026-11-04T11:27:45","slug":"el-choque-cambiario-poselectoral-en-brasil-lo-que-significa-un-real-mas-debil-para-el-sector-medtech-en-el-mercado-mas-grande-de-america-latina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/globalhealthintelligence.com\/pt-br\/analise-de-ghi\/el-choque-cambiario-poselectoral-en-brasil-lo-que-significa-un-real-mas-debil-para-el-sector-medtech-en-el-mercado-mas-grande-de-america-latina\/","title":{"rendered":"Choque cambial p\u00f3s-eleitoral no Brasil: o que a desvaloriza\u00e7\u00e3o do real significa para o setor de MedTech no maior mercado da Am\u00e9rica Latina"},"content":{"rendered":"[vc_row type=&#8221;in_container&#8221; full_screen_row_position=&#8221;middle&#8221; column_margin=&#8221;default&#8221; column_direction=&#8221;default&#8221; column_direction_tablet=&#8221;default&#8221; column_direction_phone=&#8221;default&#8221; scene_position=&#8221;center&#8221; text_color=&#8221;dark&#8221; text_align=&#8221;left&#8221; row_border_radius=&#8221;none&#8221; row_border_radius_applies=&#8221;bg&#8221; overflow=&#8221;visible&#8221; overlay_strength=&#8221;0.3&#8243; gradient_direction=&#8221;left_to_right&#8221; shape_divider_position=&#8221;bottom&#8221; bg_image_animation=&#8221;none&#8221;][vc_column column_padding=&#8221;no-extra-padding&#8221; column_padding_tablet=&#8221;inherit&#8221; column_padding_phone=&#8221;inherit&#8221; column_padding_position=&#8221;all&#8221; column_element_direction_desktop=&#8221;default&#8221; column_element_spacing=&#8221;default&#8221; desktop_text_alignment=&#8221;default&#8221; tablet_text_alignment=&#8221;default&#8221; phone_text_alignment=&#8221;default&#8221; background_color_opacity=&#8221;1&#8243; background_hover_color_opacity=&#8221;1&#8243; column_backdrop_filter=&#8221;none&#8221; column_shadow=&#8221;none&#8221; column_border_radius=&#8221;none&#8221; column_link_target=&#8221;_self&#8221; column_position=&#8221;default&#8221; gradient_direction=&#8221;left_to_right&#8221; overlay_strength=&#8221;0.3&#8243; width=&#8221;1\/1&#8243; tablet_width_inherit=&#8221;default&#8221; animation_type=&#8221;default&#8221; bg_image_animation=&#8221;none&#8221; border_type=&#8221;simple&#8221; column_border_width=&#8221;none&#8221; column_border_style=&#8221;solid&#8221;][vc_column_text css=&#8221;&#8221; text_direction=&#8221;default&#8221;]\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span lang=\"EN-US\" style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\">Guillaume Corpart<\/span><\/em><\/p>\n<p>No domingo, 25 de outubro, Luiz In\u00e1cio Lula da Silva derrotou o senador Fl\u00e1vio Bolsonaro na elei\u00e7\u00e3o presidencial brasileira, com 51,79% dos votos contra 48,21%. A vit\u00f3ria, com uma vantagem de cerca de 4,4 milh\u00f5es de votos, garantiu a Lula o quarto mandato.<\/p>\n<p>Em poucas horas, o mercado financeiro brasileiro deu seu veredito sobre o resultado da elei\u00e7\u00e3o. Na segunda-feira, o real chegou a cair 12% em rela\u00e7\u00e3o ao d\u00f3lar, que atingiu R$ 5,60, ante R$ 4,98 no fechamento da sexta-feira anterior. Desde ent\u00e3o, a moeda brasileira recuperou parte das perdas, mas segue bem abaixo do n\u00edvel anterior \u00e0 elei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para os executivos do setor de dispositivos e tecnologias m\u00e9dicas, o momento dificilmente poderia ser pior. O mercado brasileiro de dispositivos m\u00e9dicos atravessa um per\u00edodo de forte crescimento, que pode ser interrompido pela instabilidade cambial. Al\u00e9m disso, o setor j\u00e1 vinha se adaptando a uma nova pol\u00edtica industrial nacional para a sa\u00fade e \u00e0 exig\u00eancia de rastreabilidade pelo sistema de Identifica\u00e7\u00e3o \u00danica de Dispositivos M\u00e9dicos (UDI). A turbul\u00eancia cambial complica ainda mais os neg\u00f3cios no pa\u00eds.<\/p>\n<p>A leitura convencional \u00e9 simples: a desvaloriza\u00e7\u00e3o do real encarece os dispositivos importados. A leitura mais \u00fatil, por\u00e9m, \u00e9 que o choque atinge um mercado cuja depend\u00eancia estrutural de importa\u00e7\u00f5es aumenta a cada ano e encontra um governo que agora disp\u00f5e de um marco legal para usar essa depend\u00eancia como alavanca.<\/p>\n<h2>Como interpretar a rea\u00e7\u00e3o do mercado<\/h2>\n<p>A onda de vendas foi menos um julgamento sobre Lula do que o desmonte de uma aposta. Fl\u00e1vio Bolsonaro terminou o primeiro turno, em 4 de outubro, com uma pequena vantagem, e os investidores passaram a precificar um governo de orienta\u00e7\u00e3o fiscal conservadora. Quando Lula se tornou o primeiro candidato desde 1989 a vencer o segundo turno ap\u00f3s ficar atr\u00e1s no primeiro, essas posi\u00e7\u00f5es foram revertidas de uma s\u00f3 vez.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros da primeira semana de preg\u00f5es falam por si:<\/p>\n<ul>\n<li><strong>C\u00e2mbio. <\/strong>O real chegou a perder 12% no mercado \u00e0 vista na segunda-feira. O d\u00f3lar fechou a ter\u00e7a-feira a R$ 5,35, ainda cerca de 7% acima do n\u00edvel anterior \u00e0 elei\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li><strong>Bolsa.<\/strong> O Ibovespa chegou a cair 10% durante o preg\u00e3o, acionando o circuit breaker, que suspendeu as negocia\u00e7\u00f5es por 30 minutos. O \u00edndice encerrou o dia com queda de quase 14%.<\/li>\n<li><strong>Juros. <\/strong>Os juros futuros dispararam, refletindo a expectativa dos operadores de que a pol\u00edtica monet\u00e1ria permaneceria restritiva por mais tempo.<\/li>\n<li><strong>Pol\u00edtica. <\/strong>Fl\u00e1vio Bolsonaro se recusou a reconhecer a derrota e pediu a anula\u00e7\u00e3o do resultado, embora seu partido, o Partido Liberal, tenha reconhecido a vit\u00f3ria de Lula em 26 de outubro.<\/li>\n<\/ul>\n<p>No fundo, a preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 fiscal. A d\u00edvida p\u00fablica equivale a cerca de 83% do PIB, e analistas do Commerzbank avaliam que a trajet\u00f3ria do real depende agora da rapidez com que o novo governo conseguir\u00e1 tornar cr\u00edveis os compromissos de ajuste fiscal. O pr\u00f3ximo sinal vir\u00e1 em 4 de novembro, quando o Copom, do Banco Central, anunciar a decis\u00e3o sobre os juros. A Selic est\u00e1 em 13,75% ap\u00f3s cinco cortes consecutivos, e, antes da elei\u00e7\u00e3o, o consenso era de que haveria novas redu\u00e7\u00f5es. Agora, esse consenso est\u00e1 em xeque.<\/p>\n<p>Para as empresas do setor de dispositivos m\u00e9dicos, a distin\u00e7\u00e3o \u00e9 importante. Uma disparada do d\u00f3lar que dure uma semana \u00e9 um inc\u00f4modo na forma\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os. J\u00e1 a desvaloriza\u00e7\u00e3o persistente do real, combinada \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o da Selic em patamares elevados por mais tempo, compromete a demanda: reduz o poder de compra dos clientes brasileiros e encarece o financiamento das compras.<\/p>\n<h2>Depend\u00eancia estrutural e choque cambial<\/h2>\n<p>Segundo a ABIMO, entidade que representa a ind\u00fastria nacional de dispositivos m\u00e9dicos, o mercado brasileiro atingiu R$ 85,4 bilh\u00f5es em 2025, com crescimento de 13,9% em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior. Apesar desse crescimento, a exposi\u00e7\u00e3o do Brasil \u00e0s oscila\u00e7\u00f5es cambiais aumentou nos \u00faltimos cinco anos. Isso se deve \u00e0 maior depend\u00eancia de importa\u00e7\u00f5es e aos seguintes fatores:<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Perda de participa\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria nacional. <\/strong>Em 2021, os fabricantes nacionais respondiam por 45,8% do mercado. Em 2025, essa participa\u00e7\u00e3o havia ca\u00eddo para cerca de 35%.<\/li>\n<li><strong>D\u00e9ficit crescente.<\/strong> O d\u00e9ficit comercial do setor chegou a US$ 9,9 bilh\u00f5es em 2025, aproximadamente o dobro do registrado em 2020, com importa\u00e7\u00f5es superiores a US$ 11 bilh\u00f5es.<\/li>\n<li><strong>Sem sinais de revers\u00e3o.<\/strong> Nos primeiros nove meses de 2026, o d\u00e9ficit j\u00e1 somava US$ 8,73 bilh\u00f5es, com alta de 14% nas importa\u00e7\u00f5es e queda de 8,57% nas exporta\u00e7\u00f5es.<\/li>\n<li><strong>Concentra\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses fornecedores. <\/strong>Os principais fornecedores s\u00e3o Estados Unidos, Alemanha, China, Irlanda e Su\u00ed\u00e7a.<\/li>\n<\/ul>\n<p>A constata\u00e7\u00e3o que mais deveria preocupar os executivos \u00e9 justamente a que raramente chega \u00e0s manchetes: a produ\u00e7\u00e3o nacional n\u00e3o protege contra o risco cambial. Os fabricantes brasileiros dependem fortemente de componentes eletr\u00f4nicos, sensores, pol\u00edmeros e pe\u00e7as de precis\u00e3o importados. Um fabricante nacional de monitores de pacientes ou bombas de infus\u00e3o pode faturar em reais, mas boa parte dos materiais e componentes usados na fabrica\u00e7\u00e3o \u00e9 cotada em d\u00f3lar. Por causa dessa din\u00e2mica de produ\u00e7\u00e3o, qualquer choque cambial atinge todo o mercado, com defasagens distintas entre fabricantes estrangeiros e nacionais.<\/p>\n<h2>Quem absorve o choque<\/h2>\n<p>O custo da desvaloriza\u00e7\u00e3o do real n\u00e3o se distribui de maneira uniforme. Ele se propaga pelo sistema de sa\u00fade brasileiro conforme as condi\u00e7\u00f5es dos contratos, os ciclos de pagamento e os calend\u00e1rios regulat\u00f3rios. Cada segmento sente os efeitos de forma diferente.<\/p>\n<table>\n<thead>\n<tr>\n<td width=\"114\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/td>\n<td width=\"126\">\n<p><strong>Exposi\u00e7\u00e3o imediata<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"195\">\n<p><strong>Como o choque se propaga<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"189\">\n<p><strong>Resposta prov\u00e1vel<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/thead>\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"114\">\n<p><strong>Setor p\u00fablico (SUS)<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"126\">\n<p><strong>Licita\u00e7\u00f5es e atas de registro de pre\u00e7os com valores em reais, calculados com base no c\u00e2mbio anterior \u00e0 elei\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"195\">\n<p><strong>Redu\u00e7\u00e3o das margens dos fornecedores nos contratos vigentes; novas propostas com pre\u00e7os mais altos, diante de or\u00e7amentos fixos.<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"189\">\n<p><strong>Mais licita\u00e7\u00f5es fracassadas ou desertas, mais pedidos de reequil\u00edbrio econ\u00f4mico-financeiro dos contratos e prefer\u00eancia mais forte por fornecedores nacionais.<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"114\">\n<p><strong>Hospitais privados<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"126\">\n<p><strong>Materiais de consumo, implantes e pe\u00e7as de reposi\u00e7\u00e3o importados, comprados ao c\u00e2mbio atual.<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"195\">\n<p><strong>A maior parte da receita dos hospitais privados vem das operadoras de planos de sa\u00fade, cujos reajustes se baseiam em custos passados. Por isso, os hospitais arcam com a defasagem durante meses.<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"189\">\n<p><strong>Adiamento de investimentos em equipamentos de diagn\u00f3stico por imagem e cir\u00fargicos; renegocia\u00e7\u00f5es mais duras dos pre\u00e7os de materiais de consumo.<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"114\">\n<p><strong>Fabricantes multinacionais<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"126\">\n<p><strong>Custos em d\u00f3lar e receitas em reais.<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"195\">\n<p><strong>Perdas na convers\u00e3o cambial das receitas no Brasil; aumentos dos pre\u00e7os no pa\u00eds esbarram nos limites or\u00e7ament\u00e1rios dos compradores.<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"189\">\n<p><strong>Reajustes seletivos de pre\u00e7os, ciclos de vendas mais longos e maior foco na oferta de servi\u00e7os e financiamento.<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"114\">\n<p><strong>Fabricantes nacionais<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"126\">\n<p><strong>Componentes e insumos importados.<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"195\">\n<p><strong>Os custos dos insumos sobem, mas os produtos importados da concorr\u00eancia encarecem mais rapidamente.<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"189\">\n<p><strong>Vantagem relativa nas licita\u00e7\u00f5es, limitada pela press\u00e3o sobre o capital de giro e pelo cr\u00e9dito mais caro.<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Dois aspectos merecem aten\u00e7\u00e3o especial: em primeiro lugar, os equipamentos est\u00e3o muito mais expostos ao choque do que os materiais de consumo. Um hospital pode adiar por um ano a troca de um tom\u00f3grafo, mas n\u00e3o a compra de cateteres. Executivos com portf\u00f3lios concentrados em equipamentos devem esperar que parte das vendas previstas fique para 2027. Em segundo lugar, o encarecimento do financiamento agrava o impacto do c\u00e2mbio. Se a Selic permanecer pr\u00f3xima dos n\u00edveis atuais, tanto o leasing quanto a compra financiada de equipamentos ficar\u00e3o mais caros, justamente quando sobe o pre\u00e7o desses equipamentos em reais.<\/p>\n<h2>A vari\u00e1vel pol\u00edtica: um choque cambial acompanhado de uma estrat\u00e9gia industrial<\/h2>\n<p>\u00c9 aqui que est\u00e1 a novidade. Em 2015 ou 2020, a queda do real era apenas uma quest\u00e3o de custos. Em 2026, ela coincide com um marco legal criado para redefinir quem fornece para o sistema p\u00fablico de sa\u00fade brasileiro.<\/p>\n<p>Em 20 de julho, Lula sancionou a Lei n\u00ba 15.471\/2026, que torna a Estrat\u00e9gia Nacional de Sa\u00fade do Complexo Econ\u00f4mico-Industrial da Sa\u00fade (CEIS) uma pol\u00edtica de Estado permanente. O objetivo declarado \u00e9 usar o poder de compra do SUS para reduzir a depend\u00eancia de fornecedores estrangeiros de medicamentos, vacinas e dispositivos m\u00e9dicos. Entre as principais disposi\u00e7\u00f5es est\u00e3o:<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Empresas Estrat\u00e9gicas de Sa\u00fade. <\/strong>Uma nova categoria para empresas com sede, administra\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o no Brasil e pelo menos 51% do capital votante sob controle nacional. Essas empresas podem receber tratamento preferencial nas compras p\u00fablicas e prioridade nos processos regulat\u00f3rios.<\/li>\n<li><strong>PDPs permanentes. <\/strong>As Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs), que transferem tecnologia de empresas privadas para laborat\u00f3rios p\u00fablicos, passam a ser instrumentos permanentes e incluem expressamente os dispositivos m\u00e9dicos.<\/li>\n<li><strong>Regulamenta\u00e7\u00e3o pendente.<\/strong> O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade ainda precisa definir os crit\u00e9rios de enquadramento como Empresa Estrat\u00e9gica de Sa\u00fade e estabelecer as prioridades de investimento.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Com o mandato renovado por mais quatro anos, o governo tem tempo e capital pol\u00edtico para implementar esse marco. O real mais fraco refor\u00e7a essa estrat\u00e9gia. Cada ponto de desvaloriza\u00e7\u00e3o funciona como uma tarifa informal sobre os dispositivos importados e reduz a diferen\u00e7a de pre\u00e7os que os fabricantes nacionais t\u00eam dificuldade para eliminar. O governo pode apontar o choque cambial como prova de que as cadeias de suprimentos em sa\u00fade s\u00e3o uma quest\u00e3o de soberania.<\/p>\n<p>Para as multinacionais, isso muda a equa\u00e7\u00e3o. A pergunta j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 como absorver uma perda cambial, mas se o pr\u00f3ximo ciclo de compras no Brasil favorecer\u00e1 empresas com produ\u00e7\u00e3o local, parceiros locais ou participa\u00e7\u00e3o em uma PDP.<\/p>\n<h2>Perspectivas estrat\u00e9gicas para os fabricantes<\/h2>\n<p>Os pr\u00f3ximos 90 dias separar\u00e3o as empresas que tratam esse choque como um epis\u00f3dio cambial daquelas que o encaram como uma reconfigura\u00e7\u00e3o do mercado. Independentemente das oscila\u00e7\u00f5es do c\u00e2mbio, os fundamentos da demanda no sistema de sa\u00fade brasileiro continuam intactos: uma popula\u00e7\u00e3o numerosa que est\u00e1 envelhecendo, um sistema p\u00fablico universal e um setor privado sofisticado. O que mudou foram os custos de acesso ao mercado e as regras para conquistar contratos p\u00fablicos.<\/p>\n<p>Os executivos devem considerar cinco medidas:<\/p>\n<ol>\n<li><strong>Reajustar os pre\u00e7os por segmento, n\u00e3o de forma generalizada. <\/strong>Materiais de consumo sem substituto nacional comportam aumentos seletivos de pre\u00e7os. Se houver risco de adiamento da compra de equipamentos, manter os pre\u00e7os e oferecer financiamento flex\u00edvel pode ser a melhor sa\u00edda.<\/li>\n<li><strong>Auditar os contratos vigentes com o SUS. <\/strong>O objetivo \u00e9 identificar os contratos com pre\u00e7os calculados pelo c\u00e2mbio anterior \u00e0 elei\u00e7\u00e3o e avaliar se cabe pedido de reequil\u00edbrio econ\u00f4mico-financeiro antes que as margens encolham ainda mais.<\/li>\n<li><strong>Acompanhar a decis\u00e3o de 4 de novembro.<\/strong> A decis\u00e3o do Copom indicar\u00e1 se os juros continuar\u00e3o elevados em 2027, com efeitos diretos sobre os investimentos dos hospitais e a demanda por leasing de equipamentos.<\/li>\n<li><strong>Reavaliar a estrat\u00e9gia de produ\u00e7\u00e3o no pa\u00eds. <\/strong>As regras ainda pendentes sobre as Empresas Estrat\u00e9gicas de Sa\u00fade definir\u00e3o quem ter\u00e1 prefer\u00eancia nas licita\u00e7\u00f5es p\u00fablicas. A montagem local, a fabrica\u00e7\u00e3o terceirizada ou a participa\u00e7\u00e3o em uma PDP agora t\u00eam peso estrat\u00e9gico, al\u00e9m do impacto nos custos.<\/li>\n<li><strong>Mapear a base instalada. <\/strong>Com o adiamento dos investimentos em equipamentos, contratos de servi\u00e7os, atualiza\u00e7\u00f5es e pe\u00e7as de reposi\u00e7\u00e3o passam a sustentar a receita. \u00c9 fundamental saber quais equipamentos cada hospital usa e qual a idade deles.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Para os fabricantes brasileiros, o cen\u00e1rio traz oportunidades e riscos. O real mais fraco melhora a competitividade das exporta\u00e7\u00f5es e favorece esses fabricantes nas licita\u00e7\u00f5es no pa\u00eds, mas o encarecimento dos insumos e do financiamento vai p\u00f4r \u00e0 prova o capital de giro. Estar\u00e3o em melhor posi\u00e7\u00e3o os fabricantes com cadeias de suprimentos diversificadas e acesso \u00e0s linhas de cr\u00e9dito do BNDES previstas no novo marco legal.<\/p>\n<h2>Conclus\u00e3o<\/h2>\n<p>A queda do real ap\u00f3s a elei\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma dor de cabe\u00e7a na forma\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os. Ela mostra o quanto o mercado brasileiro de dispositivos m\u00e9dicos se tornou dependente de importa\u00e7\u00f5es e d\u00e1 ao governo rec\u00e9m-reeleito um argumento convincente a favor da pol\u00edtica industrial que ele j\u00e1 transformou em lei. Sair\u00e3o na frente as empresas que entenderem o choque cambial e o marco legal do CEIS como partes de uma mesma hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Para atuar nesse cen\u00e1rio, \u00e9 preciso saber com clareza onde est\u00e1 a demanda hoje. Sua equipe est\u00e1 reavaliando as oportunidades de vendas no Brasil diante do resultado da elei\u00e7\u00e3o? <a href=\"https:\/\/globalhealthintelligence.com\/pt-br\/contato\/\">Entre em contato com a Global Health Intelligence. <\/a>Os dados da GHI sobre hospitais e equipamentos podem ajudar a identificar quais institui\u00e7\u00f5es t\u00eam maior probabilidade de adiar compras, onde sua base instalada oferece oportunidades de servi\u00e7os e quais redes p\u00fablicas mais importam \u00e0 luz das mudan\u00e7as nas regras de licita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><!-- \/wp:post-content --><\/p>\n<p><!-- wp:paragraph --><strong>************<\/strong><\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><\/p>\n<p><!-- wp:paragraph --><strong>Fontes:<\/strong><\/p>\n<ol>\n<li><a href=\"https:\/\/www.riotimesonline.com\/brazil-runoff-results-start-time-where-to-follow-october-25-2026\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Brazil Runoff Results, The Rio Times<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/tradingeconomics.com\/brazil\/currency\/news\/595076\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Brazil&#8217;s Real Plunges After Lula&#8217;s Surprise Election Win, Trading Economics<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/www.aljazeera.com\/economy\/2026\/10\/26\/brazils-real-sinks-after-lulas-re-election-victory\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Brazil&#8217;s real sinks after Lula&#8217;s re-election victory, Al Jazeera<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/www.riotimesonline.com\/brazil-real-recovers-after-election-rout\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Brazil&#8217;s Real Recovers After Election Rout, The Rio Times<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/www.fxstreet.com\/news\/brazilian-real-post-election-risks-as-lula-returns-commerzbank-202610261635\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Brazilian Real: Post-election risks as Lula returns, FXStreet \/ Commerzbank<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/www.riotimesonline.com\/brazil-focus-survey-predates-election-shock\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Brazil Rate Forecasts Predate Election Shock, The Rio Times<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/brasilinovador.com.br\/industria-brasileira-de-dispositivos-medicos-projeta-expansao-tecnologica-e-debate-deficit-comercial-no-conahp-2026\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ind\u00fastria brasileira de dispositivos m\u00e9dicos no Conahp 2026, Brasil Inovador<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/www.congressoemfoco.com.br\/artigo\/119017\/sinal-amarelo-para-a-industria-brasileira-de-dispositivos-medicos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Sinal amarelo para a ind\u00fastria brasileira de dispositivos m\u00e9dicos, Congresso em Foco<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/abimo.org.br\/noticias\/feira-hospitalar-2025-projeto-comprador-impulsiona-conexoes-internacionais\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ABIMO trade balance, first nine months of 2026<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/www.poder360.com.br\/poder-governo\/lula-sanciona-lei-que-cria-estrategia-industrial-da-saude\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Lula sanciona lei que cria estrat\u00e9gia industrial da sa\u00fade, Poder360<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/revistaforum.com.br\/politica\/lula-lei-complexo-saude\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Lei do Complexo da Sa\u00fade, Revista F\u00f3rum<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/soubrasilia.com\/lei-industria-saude-medicamentos-sus\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Lula sanciona lei que cria pol\u00edtica para produ\u00e7\u00e3o nacional, Sou Bras\u00edlia<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row type=&#8221;in_container&#8221; 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