{"id":23111,"date":"2025-04-26T13:33:24","date_gmt":"2025-04-26T19:33:24","guid":{"rendered":"https:\/\/globalhealthintelligence.com\/nao-categorizado\/mudancas-climaticas-e-saude-como-fazer-frente-aos-riscos-ambientais-a-saude-na-america-latina\/"},"modified":"2025-12-01T13:31:10","modified_gmt":"2025-12-01T19:31:10","slug":"mudancas-climaticas-e-saude-como-fazer-frente-aos-riscos-ambientais-a-saude-na-america-latina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/globalhealthintelligence.com\/pt-br\/analise-de-ghi-pt-br\/mudancas-climaticas-e-saude-como-fazer-frente-aos-riscos-ambientais-a-saude-na-america-latina\/","title":{"rendered":"Mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e sa\u00fade: como fazer frente aos riscos ambientais \u00e0 sa\u00fade na Am\u00e9rica Latina"},"content":{"rendered":"<p><strong>Mariana Romero Roy<\/strong><\/p>\n<p>Com o constante aumento da temperatura do planeta nos \u00faltimos anos, os impactos no meio ambiente, no clima e em outros aspectos da vida cotidiana t\u00eam sido sentidos no mundo inteiro. Os anos de 2023 e 2024 foram, respectivamente, os mais quentes j\u00e1 registrados na hist\u00f3ria, e a Terra est\u00e1 cerca de 1,2 \u00baC mais quente hoje do que no per\u00edodo de 1850 a 1890.<\/p>\n<p>A eleva\u00e7\u00e3o da temperatura coincidiu com o aumento da ocorr\u00eancia de eventos clim\u00e1ticos severos, como ondas de calor, inc\u00eandios florestais, inunda\u00e7\u00f5es, furac\u00f5es e v\u00e1rios outros. Essas mudan\u00e7as tamb\u00e9m s\u00e3o acompanhadas pelo derretimento do gelo glacial e pela eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do mar.<\/p>\n<h2>O impacto na sa\u00fade<\/h2>\n<p>De acordo com a <a href=\"https:\/\/www.who.int\/news-room\/fact-sheets\/detail\/climate-change-and-health\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS)<\/a>, as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas globais tamb\u00e9m t\u00eam um grande impacto na sa\u00fade p\u00fablica, e as consequ\u00eancias j\u00e1 est\u00e3o sendo observadas em algumas \u00e1reas, incluindo na Am\u00e9rica Latina. A eleva\u00e7\u00e3o das temperaturas e o aumento da frequ\u00eancia dos eventos clim\u00e1ticos extremos colocam as pessoas em risco, uma vez que comprometem a qualidade do ar, a seguran\u00e7a alimentar, postos de trabalho e muito mais. Com o clima mais quente, algumas doen\u00e7as tamb\u00e9m tendem a se proliferar e se espalhar mais rapidamente.<\/p>\n<p>Esses fatores tamb\u00e9m representam um risco maior para algumas popula\u00e7\u00f5es do que para outras. Os riscos \u00e0 sa\u00fade relacionados ao clima t\u00eam um impacto desproporcional em popula\u00e7\u00f5es vulner\u00e1veis e desfavorecidas, pessoas que vivem em \u00e1reas densamente povoadas ou indiv\u00edduos com acesso limitado a assist\u00eancia m\u00e9dica ou apoio social. A OMS estima que 3,6 bilh\u00f5es de pessoas j\u00e1 vivem em \u00e1reas que correm risco de sofrer impactos relacionados \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Qual tem sido o impacto na Am\u00e9rica Latina<\/h2>\n<p>Um relat\u00f3rio publicado em 2023 pelo peri\u00f3dico de sa\u00fade <a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/38800647\/#:~:text=The%202023%20Lancet%20Countdown%20Latin,%2C%20and%20vector%2Dborne%20diseases.\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">The Lancet<\/a> mostrou claramente que muitos desses riscos \u00e0 sa\u00fade afetam diretamente a popula\u00e7\u00e3o latino-americana, e alguns dos impactos na sa\u00fade causados pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas j\u00e1 come\u00e7am a ser sentidos na regi\u00e3o. A tabela abaixo apresenta um resumo desses impactos:<\/p>\n<h3>Riscos \u00e0 sa\u00fade dos latino-americanos decorrentes das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/h3>\n<ul>\n<li>Mudan\u00e7a de temperatura no Paraguai de 1986-2005 a 2013-2022: +1,9 grau Celsius<\/li>\n<li>Mudan\u00e7a de temperatura na Argentina de 1986-2005 a 2013-2022: +1,2 grau Celsius<\/li>\n<li>Aumento da exposi\u00e7\u00e3o a dias com ondas de calor entre crian\u00e7as de 1986-2005 a 2013-2022: +248%<\/li>\n<li>Aumento da exposi\u00e7\u00e3o a dias com ondas de calor entre idosos de 1986-2005 a 2013-2022: +271%<\/li>\n<li>Aumento do n\u00famero de mortes relacionadas ao calor de 2000-2009 a 2013-2022: +140%<\/li>\n<\/ul>\n<p>O calor est\u00e1 longe de ser o \u00fanico risco para a regi\u00e3o causado por essas mudan\u00e7as ambientais. A agricultura, a ind\u00fastria, o desmatamento e a polui\u00e7\u00e3o do ar e da \u00e1gua tamb\u00e9m s\u00e3o fatores de risco significativos para a popula\u00e7\u00e3o latino-americana. De fato, o aumento na taxa de mortes prematuras na regi\u00e3o pode estar diretamente associado \u00e0 polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica provocada pelo uso de combust\u00edveis f\u00f3sseis em resid\u00eancias, f\u00e1bricas, meios de transporte e na agricultura.<\/p>\n<p>Calor, polui\u00e7\u00e3o e eventos clim\u00e1ticos extremos tamb\u00e9m facilitam a propaga\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as. Um exemplo espec\u00edfico disso \u00e9 a dengue, doen\u00e7a transmitida por mosquitos cujos casos cresceram 54% entre 1951-1960 e 2013-2022. A mal\u00e1ria \u00e9 outra doen\u00e7a que tem aumentado em decorr\u00eancia do aquecimento do clima. A eleva\u00e7\u00e3o da temperatura tamb\u00e9m representa um risco maior para pessoas com problemas de sa\u00fade cr\u00f4nicos, como doen\u00e7as respirat\u00f3rias ou cardiovasculares.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>O que precisa ser feito<\/h2>\n<p>Quando se avalia o estado das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e da sa\u00fade na Am\u00e9rica Latina, fica evidente que a sa\u00fade p\u00fablica na regi\u00e3o j\u00e1 est\u00e1 sendo afetada e que o impacto s\u00f3 deve aumentar nos pr\u00f3ximos anos. Entre 2030 e 2050, a OMS estima que a crise clim\u00e1tica causar\u00e1 250 mil mortes adicionais por ano em todo o mundo devido \u00e0 desnutri\u00e7\u00e3o, estresse t\u00e9rmico, diarreia e mal\u00e1ria.<\/p>\n<p>Os latino-americanos tamb\u00e9m indicam estar sendo diretamente afetados pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. A tabela abaixo mostra os resultados de uma pesquisa recente realizada pelo <a href=\"https:\/\/www.eib.org\/en\/surveys\/climate-survey\/6th-climate-survey\/latam\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Banco Europeu de Investimento<\/a>:<\/p>\n<h3>O impacto das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas nos latino-americanos:<\/h3>\n<ul>\n<li>Entrevistados que s\u00e3o a favor de medidas governamentais de combate \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas: 88%<\/li>\n<li>Entrevistados que acreditam que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas impactam a vida cotidiana: 91%<\/li>\n<li>Entrevistados que s\u00e3o a favor de investimentos em fontes de energia renov\u00e1veis: 80%<\/li>\n<li>Entrevistados que acreditam que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas afetam sua subsist\u00eancia ou renda: 70%<\/li>\n<li>Entrevistados que acreditam que talvez precisem se mudar devido \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas: 54%<\/li>\n<\/ul>\n<p>As necessidades de reduzir esses riscos na regi\u00e3o s\u00e3o grandes e, segundo a Lancet, \u00e9 prov\u00e1vel que elas exijam mudan\u00e7as em pol\u00edticas p\u00fablicas no mais alto n\u00edvel, assim como parcerias e colabora\u00e7\u00f5es entre os governos da regi\u00e3o. \u00c9 fundamental promover pol\u00edticas p\u00fablicas que priorizem a redu\u00e7\u00e3o das desigualdades sociais, a melhoria da sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o, a redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de gases de efeito estufa e o aumento da resili\u00eancia clim\u00e1tica. Al\u00e9m disso, os pa\u00edses devem fazer a transi\u00e7\u00e3o para fontes de energia mais limpas com o intuito de reduzir a polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica e melhorar a sa\u00fade geral. Tudo isso, \u00e9 claro, exigir\u00e1 recursos por meio de compromissos fiscais permanentes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Mudan\u00e7as nas pol\u00edticas p\u00fablicas latino-americanas<\/h2>\n<p>Embora haja muito trabalho pela frente na regi\u00e3o, as mudan\u00e7as j\u00e1 est\u00e3o come\u00e7ando a acontecer. Em 2021, a maioria dos pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina e do Caribe se comprometeu com as Na\u00e7\u00f5es Unidas a reduzir significativamente suas emiss\u00f5es de gases de efeito estufa at\u00e9 2030 e zer\u00e1-las at\u00e9 2050. O <a href=\"https:\/\/www.unep.org\/regions\/latin-america-and-caribbean\/regional-initiatives\/responding-climate-change\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente<\/a> tamb\u00e9m vem desenvolvendo ativamente diversos projetos para combater as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e os riscos \u00e0 sa\u00fade associados especificamente na Am\u00e9rica Latina \u2013 e v\u00e1rias outras organiza\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m est\u00e3o. Al\u00e9m disso, o Brasil e a Col\u00f4mbia promulgaram leis clim\u00e1ticas nacionais para abordar diretamente essa quest\u00e3o.<\/p>\n<p>No entanto, a maioria das ag\u00eancias da sa\u00fade e do clima reconhece que a Am\u00e9rica Latina ainda tem um longo caminho para alcan\u00e7ar seus objetivos. Ser\u00e3o necess\u00e1rios mais recursos, assim como pol\u00edticas que abordem mais diretamente as desigualdades de renda na regi\u00e3o, para fazer frente \u00e0 iminente crise de sa\u00fade relacionada \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Principais conclus\u00f5es para empresas de sa\u00fade<\/h2>\n<p>Para apoiar os esfor\u00e7os da Am\u00e9rica Latina no combate \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e aos problemas de sa\u00fade a elas relacionados, as empresas de sa\u00fade podem rever suas pr\u00f3prias opera\u00e7\u00f5es na regi\u00e3o e implementar melhores pr\u00e1ticas para reduzir as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa e seu impacto no solo, na \u00e1gua, no ar e no meio ambiente em geral.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a Am\u00e9rica Latina seguir\u00e1 combatendo os riscos relacionados \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o ao calor e \u00e0 polui\u00e7\u00e3o e ao aumento de doen\u00e7as transmiss\u00edveis devido \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, o que manter\u00e1 alta a demanda pelos medicamentos, tratamentos e equipamentos de diagn\u00f3stico necess\u00e1rios para gerenciar esses riscos. As empresas do setor de sa\u00fade podem ajudar a regi\u00e3o fornecendo os medicamentos e equipamentos necess\u00e1rios para que as pessoas se mantenham o mais saud\u00e1veis poss\u00edvel diante desses desafios crescentes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4>Pr\u00f3ximos passos<\/h4>\n<p><a href=\"https:\/\/globalhealthintelligence.com\/pt-br\/contato\/\">Entre em contato com a GHI<\/a> para saber mais sobre as tend\u00eancias relacionadas \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e seu potencial impacto no setor de sa\u00fade da Am\u00e9rica Latina. Nossa equipe de pesquisadores pode fornecer as an\u00e1lises e informa\u00e7\u00f5es valiosas de que a sua empresa precisa para tomar decis\u00f5es mais estrat\u00e9gicas em seu setor.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mariana Romero Roy Com o constante aumento da temperatura do planeta nos \u00faltimos anos, os impactos no meio ambiente, no clima e em outros aspectos da vida cotidiana t\u00eam sido&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":23104,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[65,610],"tags":[],"class_list":{"0":"post-23111","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-analise-de-ghi-pt-br","8":"category-analise-de-ghi-pt-br-1"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/globalhealthintelligence.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23111","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/globalhealthintelligence.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/globalhealthintelligence.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/globalhealthintelligence.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/globalhealthintelligence.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23111"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/globalhealthintelligence.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23111\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":27713,"href":"https:\/\/globalhealthintelligence.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23111\/revisions\/27713"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/globalhealthintelligence.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/23104"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/globalhealthintelligence.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23111"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/globalhealthintelligence.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23111"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/globalhealthintelligence.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23111"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}