Mariana Romero Roy
O sarampo está voltando de forma alarmante em toda a América Latina. O número de casos cresceu tanto nos últimos meses que a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) emitiu um alerta epidemiológico. Eis um panorama rápido dos números na região:
Surto de sarampo nas Américas em 2025
- 14.891 casos confirmados
- 29 óbitos
- 13 países afetados
- 6.428 casos no México
- 24 óbitos no México
- 5.436 casos no Canadá
- 2.242 casos nos Estados Unidos [1]
Como se vê pelos números acima, o surto afetou principalmente o México na América Latina, com volumes menores nos demais países da região. Na verdade, a maioria dos outros países latino-americanos impactados registra contagens baixas — na casa de dezenas e, em alguns casos, de unidades — até fevereiro de 2026. Depois do México, a Bolívia é o país com mais casos na região, com 597, seguida de Paraguai (49), Belize (44), Brasil (38), Argentina (36), Uruguai (13), Peru (5) e Costa Rica, El Salvador e Guatemala, que registraram apenas um caso cada. [1]
Em especial, o estado mexicano de Jalisco, que inclui a cidade de Guadalajara, é visto como o epicentro do surto. Esse cenário levou o governo de Jalisco a emitir um alerta sanitário. O quadro é uma grande preocupação para as autoridades locais, sobretudo porque, dentro de alguns meses, a cidade será uma das sedes da Copa do Mundo de 2026. [2]
Motivos do surto
Quando se observam os números de cobertura vacinal na América Latina, fica mais claro como um surto como esse pôde acontecer. Segundo o UNICEF, entre 2013 e 2023, a América Latina deixou de figurar entre as regiões com as mais altas taxas de vacinação infantil do mundo e passou a integrar o grupo das mais baixas. Como resultado, uma em cada quatro crianças da região não está protegida contra doenças imunopreveníveis, e a maioria delas não recebeu nenhuma vacina. [3]
Os números do surto mais recente de sarampo parecem refletir essa tendência. A OPAS estima que cerca de 89% dos casos recentes de sarampo ocorreram em pessoas não vacinadas ou com situação vacinal desconhecida. [4] Atualmente, a entidade estima que aproximadamente 89% da população da região recebeu a primeira dose da vacina tríplice viral (MMR), enquanto a cobertura da segunda dose varia de 76% a 79%. Esse índice está abaixo da cobertura vacinal de 95% recomendada para prevenir surtos. [5]
Como a comunidade médica está reagindo
Com o avanço dos casos de sarampo, a região vem ajustando sua resposta à gravidade do surto. As autoridades de saúde pública estão empenhadas em conscientizar a população sobre a importância das vacinas. Ao mesmo tempo, administradores hospitalares correm nos bastidores para se preparar para um aumento repentino de pacientes pediátricos e adultos com uma doença altamente contagiosa. [1]
Impacto sobre o setor de MedTech e outros fornecedores
Diante da possibilidade de um surto de doença altamente infecciosa, hospitais e centros médicos precisam redirecionar suas prioridades de compra. Esse movimento já está em curso no estado de Jalisco, no México, mas pode se intensificar em outras partes da região se o sarampo continuar se espalhando. Os orçamentos hospitalares podem passar a priorizar o controle de infecções e o suporte respiratório crítico, em detrimento da atenção eletiva.
Essa tendência já é observada nas áreas mais afetadas do México, onde estão em andamento campanhas de vacinação em massa e de conscientização sobre a importância das vacinas promovidas por autoridades de saúde pública. Atualmente, a OPAS recomenda as seguintes estratégias:
- Elevar a cobertura vacinal contra o sarampo para mais de 95%
- Implementar campanhas de vacinação em massa em áreas de alto risco
- Conter rapidamente os surtos por meio de sistemas de resposta rápida
- Detectar e confirmar com agilidade os casos de sarampo
- Orientar as comunidades em situação de risco sobre a importância das vacinas e enfrentar diretamente a hesitação vacinal [5]
Outras necessidades além das vacinas
Naturalmente, as necessidades de hospitais e centros médicos diante de um surto de sarampo vão além das doses de vacina. Também pode haver demanda por seringas específicas e por transporte em cadeia fria para viabilizar a distribuição e a aplicação desses imunizantes. [6]
As regiões mais afetadas por um surto de sarampo precisarão de EPIs para precauções respiratórias, a fim de proteger as equipes no atendimento a uma doença altamente infecciosa. Isso inclui respiradores N95, protetores faciais e aventais de isolamento, entre outros insumos e equipamentos. Hospitais e centros médicos nas áreas mais afetadas podem até considerar aprimoramentos como salas de isolamento para infecções transmitidas pelo ar, sistemas portáteis de filtragem HEPA e unidades de descontaminação por UV para evitar a contaminação cruzada em salas de espera. [6]
Em alguns casos, o sarampo pode evoluir para quadros graves e causar complicações nos pacientes. Entre elas está a pneumonia, que é a causa mais comum de morte relacionada ao sarampo em crianças pequenas. [7] A disseminação do sarampo e o agravamento dos casos também podem sobrecarregar as unidades de terapia intensiva pediátrica, elevando a demanda por ventiladores pediátricos, dispositivos de oxigenoterapia e monitores contínuos de pacientes. [8]
Principais conclusões para empresas do setor de saúde
Em meio ao atual surto de sarampo na América Latina, um ponto relativamente positivo é que a incidência mais elevada parece se concentrar em apenas um país (México) e, de forma moderada, em outro (Bolívia), enquanto os demais nove países latino-americanos registram números baixos. Ainda assim, os fornecedores médicos podem se preparar mantendo à disposição doses de vacinas, seringas e estoques de EPIs para o México e para outros países que venham a precisar desses insumos nas próximas semanas e meses. [1]
Surtos de doenças infecciosas desencadeiam ciclos de compra rápidos e altamente localizados. Empresas que conseguem identificar as regiões que estão ampliando sua capacidade de isolamento e de suporte respiratório podem se posicionar de forma estratégica para atender a essa demanda repentina. [1]
Além de contribuir para os resultados da empresa, a capacidade de responder com agilidade a esse cenário também fortalece uma cultura organizacional positiva e reforça a imagem pública da empresa ao mostrar que ela esteve presente para apoiar a região durante um surto de doença potencialmente fatal. Em termos simples, entregar insumos em tempo hábil também pode ajudar a salvar vidas. [1]
Próximos passos
Entre em contato com a GHI para saber mais sobre o atual panorama do setor de saúde e do perfil epidemiológico na América Latina e sobre como você pode ajustar a estratégia da sua empresa para ajudar a prevenir e controlar essas situações. Nossa equipe de pesquisadores pode oferecer as análises e informações valiosas de que a sua empresa precisa para tomar decisões mais estratégicas no seu setor.
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Fontes:
- https://www.paho.org/en/news/4-2-2026-paho-issues-epidemiological-alert-amid-continued-measles-transmission-americas-and
- https://fox8.com/news/health/ap-health/ap-measles-outbreak-in-mexico-prompts-health-alert-in-world-cup-host-jalisco/
- https://www.unicef.org/lac/en/press-releases/latin-america-and-caribbean-records-worlds-biggest-drop-childhood-vaccination-over-past-decade
- https://www.cidrap.umn.edu/measles/measles-surge-continues-americas-outbreaks-10-nations
- https://www.paho.org/en/news/15-8-2025-ten-countries-americas-report-measles-outbreaks-2025#:~:text=PAHO%20response%20and%20recommendations,literacy%20and%20address%20vaccine%20hesitancy.
- https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC4400300/#:~:text=Such%20arrangement%20requires%20ancillary%20laboratory,and%20clinicians%20entering%20the%20ward.
- https://www.cdc.gov/measles/signs-symptoms/index.html
- https://www.cdc.gov/measles/media/pdfs/2025/05/hcp-caring-for-patients-measles-fact-sheet.pdf


