Guillaume Corpart
Ao considerar os principais mercados de saúde do mundo, a América do Norte e a Europa costumam ser as duas primeiras regiões que vêm à mente. No entanto, a América Latina vem se firmando de forma consistente como um centro de excelência clínica e inovação médica.
Segundo uma análise recente do relatório Global Top 250 Hospitals, da Brand Finance, a força da marca hospitalar é um fator decisivo para a escolha dos pacientes, o prestígio institucional e a atração de profissionais de saúde. Os dados mostram que o Brasil entrou oficialmente no grupo dos 10 principais países do mundo em marcas hospitalares mais bem avaliadas. Com três marcas hospitalares entre as 100 melhores do mundo, o Brasil agora se coloca no mesmo patamar de polos avançados de saúde.
Para executivos do setor de MedTech, essa transformação aponta para um mercado em rápida expansão, com forte demanda por dispositivos médicos avançados, robótica e soluções de saúde digital. Com o fortalecimento da reputação global das instituições latino-americanas, as equipes comerciais precisam ajustar suas estratégias de acesso ao mercado para satisfazer essa demanda.
Decifrando os rankings da Statista e da Newsweek: a elite do setor privado
The global recognition of Latin American healthcare is strongly echoed by detailed regional evaluations. O reconhecimento global da saúde latino-americana encontra forte respaldo em avaliações regionais detalhadas. No ranking de 2026 dos principais hospitais e clínicas privados da América Latina — uma lista abrangente desenvolvida pela Newsweek em parceria com a Statista —, as instituições de elite da região demonstram capacidades de padrão mundial. No topo da lista está o Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, que conquistou a primeira posição em diversas especialidades de alta complexidade, incluindo cirurgias oftalmológicas refrativas, e a segunda posição em artroplastias de joelho e quadril.
A excelência se estende para além do Brasil. O ranking destaca uma rede altamente competitiva de hospitais privados de primeira linha, incluindo a Fundación Santa Fe de Bogotá, da Colômbia, a Clínica Alemana Vitacura, do Chile, e o Hospital Italiano de Buenos Aires, da Argentina. Essas instituições lideram a região em procedimentos complexos e de alta margem. Por exemplo, a Fundación Santa Fe de Bogotá ocupa o primeiro lugar na região em cirurgias de joelho e ombro, enquanto o Hospital Italiano de Buenos Aires figura entre os cinco primeiros em procedimentos de quadril e joelho.
Para as equipes comerciais de MedTech, essas instituições de elite representam contas prioritárias. Hospitais que realizam procedimentos altamente especializados em alto volume buscam ativamente dispositivos médicos de ponta. Essas instituições priorizam a excelência clínica e a recuperação rápida dos pacientes, o que as torna candidatas ideais à adoção precoce de plataformas avançadas de cirurgia robótica, soluções avançadas de diagnóstico por imagem e instrumentos cirúrgicos inovadores. Ao direcionar esforços a esses centros privados de elite, as empresas de MedTech podem estabelecer posições sólidas e redes de formadores de opinião (KOLs) capazes de influenciar as tendências de compras em todo o mercado regional.
México: potência em cadeia de suprimentos e fabricação de dispositivos médicos
Enquanto a América do Sul atrai atenção significativa pelo prestígio de suas marcas hospitalares, o México é a espinha dorsal da cadeia de suprimentos MedTech da região. Nos últimos anos, o México deixou de ser uma opção secundária de fabricação para se tornar a principal plataforma produtiva da maioria dos grandes fabricantes originais de equipamentos médicos. Atualmente, o México é o principal fornecedor de dispositivos médicos importados vendidos nos Estados Unidos, respondendo por cerca de um em cada cinco dispositivos importados anualmente.
Em 2024, o México gerou US$ 19,3 bilhões em exportações de dispositivos médicos, consolidando-se como o sexto maior exportador de dispositivos médicos do mundo. Diversas forças estruturais impulsionam essa liderança. A viabilidade econômica da produção doméstica de dispositivos médicos nos Estados Unidos vem sendo pressionada por margens de lucro mais estreitas, aumento dos custos de insumos e maiores exigências regulatórias. Considerando que a fabricação de dispositivos médicos depende fortemente de mão de obra e que os custos de mão de obra no México ficam entre 40% e 60% abaixo dos níveis dos Estados Unidos, o país dispõe de uma enorme vantagem estratégica e econômica.
Além disso, as políticas comerciais e tarifárias estão redesenhando profundamente as cadeias globais de suprimentos. Tarifas elevadas sobre importações asiáticas encareceram significativamente os componentes vindos do exterior, enquanto o México, no âmbito do USMCA, oferece um ambiente de produção altamente favorável e eficiente do ponto de vista tarifário.
Atualmente, o México reúne mais de 250 empresas que fabricam dispositivos médicos, com grandes polos localizados em estados fronteiriços como Baja California e em Nuevo Leon, que se destaca como um dos principais centros de fabricação de equipamentos médicos eletrônicos. Para empresas globais de MedTech, ampliar a produção ou estabelecer parcerias com fabricantes no México é fundamental para proteger margens de lucro e, ao mesmo tempo, garantir a resiliência da cadeia de suprimentos.
O avanço da fabricação sob contrato de dispositivos médicos
Além do crescimento do mercado de exportação de dispositivos médicos em países como o México, a América Latina também registra aumento da demanda interna por tecnologias de saúde desenvolvidas na própria região. Juntos, esses dois fatores impulsionam uma forte expansão da fabricação sob contrato no segmento de dispositivos médicos na América Latina.
Fabricação sob contrato de dispositivos médicos na América Latina em números
- Valor de mercado em 2024: US$ 3,4 bilhões
- Valor de mercado projetado até 2032: US$ 7,4 bilhões
- Projeção da taxa composta de crescimento anual (CAGR): 10,2%
Esse crescimento é impulsionado pela expansão da classe média, pelo envelhecimento da população e pelo aumento dos gastos em saúde, fatores que ampliam a demanda por ferramentas avançadas de diagnóstico, instrumentos cirúrgicos e sistemas de monitoramento de pacientes. Além disso, a América Latina vem se tornando um destino preferencial para empresas norte-americanas e europeias que buscam terceirizar a produção com estruturas de custos competitivas e taxas de câmbio favoráveis, sem abrir mão da proximidade com mercados estratégicos.
Uma tendência relevante nesse setor é a expansão das parcerias de produção terceirizada entre fabricantes regionais e empresas internacionais de dispositivos médicos. Os fabricantes regionais adotam cada vez mais tecnologias avançadas de produção, como automação e impressão 3D, e dão maior ênfase à conformidade regulatória para se alinhar a rigorosos padrões internacionais.
O Brasil detém atualmente a maior participação de mercado nesse setor regional, com aproximadamente 45%, enquanto México e Argentina também se destacam como atores relevantes. Executivos do setor de MedTech podem aproveitar essa tendência por meio de parcerias regionais de fabricação, acelerando a chegada dos dispositivos ao mercado e reduzindo os custos de produção de itens destinados tanto ao mercado local quanto à exportação internacional.
Imperativos estratégicos para o crescimento no setor de MedTech
Diante da rápida evolução do mercado de saúde latino-americano, as equipes comerciais de MedTech precisam adaptar suas estratégias para se manter à frente. Os dados deixam claro um ponto: a região já não é um mercado emergente secundário — é um mercado sofisticado que exige soluções de padrão mundial. Para aproveitar essas mudanças, executivos de MedTech devem concentrar esforços em estratégias direcionadas de acesso ao mercado, otimização da cadeia de suprimentos e inteligência regional aprofundada.
Ao compreender a interseção entre o prestígio das marcas hospitalares, os volumes de procedimentos nas principais clínicas privadas e o avanço da fabricação impulsionada pelo nearshoring no México, as empresas de MedTech podem se posicionar como parceiras indispensáveis. Para ter sucesso na América Latina, as empresas precisam de uma estratégia que aproveite as eficiências da fabricação local para entregar tecnologias de ponta. Com o aumento do prestígio dos hospitais da região, o poder de compra dessas instituições e sua demanda por inovação também crescerão.
Próximos passos
Entre em contato com a GHI para saber mais sobre a evolução da excelência clínica e a reconfiguração da fabricação de dispositivos médicos na América Latina, além de entender como ajustar sua estratégia de acesso ao mercado para abordar de forma mais eficaz os prestadores de serviços de saúde da região. Nossa equipe de pesquisadores pode fornecer a inteligência regional aprofundada e a análise da cadeia de suprimentos de que você precisa para gerar insights relevantes e apoiar a tomada de decisões estratégicas no seu setor.
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Fontes:
https://www.visualcapitalist.com/dp/mapped-countries-with-the-most-top-rated-hospitals/
https://rankings.newsweek.com/latin-americas-top-private-hospitals-clinics-2026
https://insights.tetakawi.com/overview-of-medical-device-manufacturing-in-mexico
https://www.ivemsa.com/medical-device-manufacturing-mexico-overview/
https://www.credenceresearch.com/report/latin-america-medical-device-contract-manufacturing-market



