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Guillaume Corpart

O cenário político venezuelano é hoje marcado por profunda instabilidade e por uma rejeição pública avassaladora ao governo atual. Após uma controversa mudança de poder que deixou Delcy Rodríguez temporariamente no comando — notadamente com o endosso do governo Trump —, a percepção pública despencou para um patamar crítico. Uma pesquisa recente da Meganálisis evidencia essa profunda crise de confiança, revelando que 78% dos venezuelanos consideram expressamente “ruim” a situação do país sob esta administração.

A crise de governança e a desilusão econômica

O pessimismo econômico hoje domina o humor nacional. Se a atual estrutura de poder se mantiver, 83% das famílias preveem que sua situação econômica só piorará. Essa falta de confiança permeia praticamente todas as dimensões da governança e se reflete em uma taxa média de desaprovação de impressionantes 93% em serviços públicos e infraestrutura essenciais.

Curiosamente, a gratidão que os cidadãos antes demonstravam em relação a atores políticos externos se desgastou rapidamente. O apoio ao presidente norte-americano, Donald Trump, despencou para 47%, ante 92% em janeiro de 2026 (uma queda acumulada expressiva de 45%). Os cidadãos atribuem essa perda de confiança principalmente à “inconsistência discursiva”, apontando especificamente para os elogios de Trump a Delcy Rodríguez e para a percepção de normalização do movimento político chavista atualmente no poder.

Saúde: um setor em colapso

Em nenhum outro setor o custo humano devastador dessa instabilidade política é tão evidente quanto no de saúde. De acordo com o relatório da Meganálisis de abril de 2026, 87% dos venezuelanos desaprovam fortemente a gestão de Rodríguez na área da saúde, especificamente no que se refere aos recursos hospitalares e ao quadro de pessoal. Relatórios humanitários de 2024 e 2025 corroboram essa percepção, descrevendo um sistema à beira do colapso total:

  • Falhas de infraestrutura: mais de 80% dos centros de saúde estão tecnicamente inoperantes devido a graves deficiências em serviços básicos e manutenção de rotina.
  • Escassez de recursos: em um sinal alarmante da crise, 74% dos pacientes já precisam providenciar seus próprios materiais médicos essenciais, incluindo medicamentos, gaze e seringas, apenas para receber atendimento.
  • Serviços críticos: em todo o país, apenas 7% dos serviços de emergência são considerados plenamente funcionais, e somente 40% das salas cirúrgicas estão em condições de funcionamento.
  • Risco epidemiológico: o colapso dos programas de vacinação e de atenção preventiva provocou o ressurgimento de doenças infecciosas, entre as quais sarampo, dengue e malária.

De modo geral, a perda dos serviços públicos de saúde impacta diretamente mais de 70% da população. Como consequência, mais de 150 mil gestantes e 500 mil crianças ficam completamente sem acesso à atenção médica primária. A população reconhece que essa emergência no setor de saúde está indissociavelmente ligada a falhas sistêmicas mais amplas. Essa realidade é evidenciada por um índice de desaprovação de 95,33% especificamente na gestão dos serviços públicos essenciais e da economia.

O roteiro eleitoral e a demanda por transição

Apesar do pessimismo predominante, os venezuelanos mantêm uma demanda clara e urgente por uma solução democrática. Nada menos que 87% da população vê uma eleição presidencial em 2026 como o mecanismo essencial para solucionar a crise nacional. Além disso, o foco da opinião pública se afastou decisivamente da intervenção externa e se voltou para lideranças internas. Nesse sentido, María Corina Machado (MCM) desponta como a principal figura política. Em uma disputa aberta, ela aparece atualmente nas pesquisas como líder incontestável, com 71% dos votos esperados.

A urgência dessa transição é incontestável. Para 77% dos cidadãos, a eleição presidencial tem prioridade sobre qualquer outro evento eleitoral, e quase 80% exigem que ela ocorra no segundo semestre de 2026. Para a maioria dos venezuelanos, a transição de poder e o retorno de Machado não são apenas aspirações políticas, mas necessidades vitais para uma nação cujos serviços básicos, especialmente os de saúde, simplesmente não conseguem suportar o peso do status quo.


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Guillaume Corpart is the CEO and founder of Global Health Intelligence, with more than two decades of experience in market intelligence. He is a recognized expert and thought leader in discussing the medical equipment/devices market in Latin America, having overseen hundreds of studies for the world's top brands in this sector.